sexta-feira, 16 de abril de 2010

Eu vou deixar você entrar no rock/Estourando o balão do improviso (Mano Gladstone /Ozires Diniz)



Eu Vou Deixar Você Entrar no Rock
(Tema e Música: Germano Gladstone)

Estourando o Balão do Improviso
(Tema Decassílabo: Ozires Diniz - Tema Refrão: Germano Gladstone)
(Música: Germano Gladstone)



Como é que você vai passando?
Como é que vai seu violão? Bom?
Como você vai caminhando?
Como é que vai seu coração?

Seu coração vai machucado?
Como é que vai o seu amor? Bem?
O seu amor é como a chuva
que vai molhar o “Olho D’Água do Juá”.
A flor do meu maracujá não vai murchar,
vai como Deus quer.

Eu vou deixar você entrar no rock.
No rock lá do meu sertão...
Eu vou deixar você entrar no rock.
No rock lá do meu sertão...

Quando eu canto eu esporo o meu juízo,
eu estouro o balão do improviso,
cantador muito velho até duvida,
trovador muito novo se intimida.
Violeiro abre a boca e não canta,
o doente aleijado se levanta,
quem não ouve começa a escutar.
Quem não dança começa a dançar,
tudo isso sucede sem parar,
quando eu pego a viola pra cantar.

Eu vou deixar você entrar no rock.
No rock lá do meu sertão...

E o vento dá voltas e campeia,
e o verde da mata se incendeia,
o rio começa a voltear,
e o tempo já perde o seu contar.
A criança vai ganhando tino,
o velho voltando a ser menino,
e o poltro deixando de correr.
O sol já se põe ao anoitecer,
quem calou tem vontade de dizer,
quem morreu tem saudade de viver.

Eu vou deixar você entrar no rock...

E o poeta dá volta, volta e meia,
o seu tirocínio até tonteia,
a cabeça lhe dói, se embriaga,
o peso do medo lhe esmaga.
O que eu digo lhe dói como espada,
a bruxa num instante vira fada,
o leão perde a fúria do momento.
Com o que estava no meu esquecimento,
faço um mar violeta de cimento,
da rosa, do mel, do pensamento.

Eu vou deixar você entrar no rock...

E a moça se prende comovida,
disfarçando as agruras dessa vida,
boiadeiro se junta mais o gado,
esquecendo o que tinha planejado.
Sai tangendo e tangido no caminho,
o veneno se transforma em vinho,
a correr nas artérias da canção.
Fere o gado e se fere no facão,
quem é cego abre os olhos, tem visão,
quando eu grito o cantar do meu sertão.

Eu vou deixar você entrar no rock...

Embolador, cantador e violeiro,
o poeta, o cantor, o seresteiro,
trovador, escritor, intelectual,
e o homem comum ou genial.
Falam: - meu Deus do céu me ajuda!
São Jorge guerreiro, me acuda,
me dê uns cem anos pra pensar,
essa gente cantando em meu lugar,
esgotou o assunto sem notar,
agora eu abro a boca pra cantar.

Eu vou deixar você entrar no rock...

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